Ricardo Fernandes fez parte da conquista europeia de 2004 e dá a “receita” ao FC Porto para o duelo decisivo com a Juventus.

Uma eventual qualificação do FC Porto para os quartos de ultimate da Liga dos Campeões dependerá da capacidade em anular Cristiano Ronaldo, principal figura dos italianos da Juventus, admite o ex-futebolista Ricardo Fernandes.

“A receita supreme é ter o Ronaldo num dia não. Parece-me que a Juventus está em fim de ciclo, mas há individualidades que podem fazer a diferença a qualquer altura. É por isso que falo do Cristiano. Se o FC Porto o condicionar, como no Dragão, não duvido de que conseguirá o resultado que quer”, disse à Lusa o ex-médio dos dragões.

O FC Porto reencontrará a “vecchia signora”, do astro português Cristiano Ronaldo, na terça-feira, às 20h00, em Turim, três semanas depois da vitória por 2-1 obtida no Estádio do Dragão, no Porto, com golos de Taremi e Marega, contra um de Federico Chiesa.

A 25 de fevereiro de 2004, o FC Porto realizou o primeiro jogo internacional no Estádio do Dragão frente ao Manchester United, curiosamente de Cristiano Ronaldo, saindo por cima com dois golos do sul-africano Benni McCarthy, contra um de Quinton Fortune.

“Period um jogo difícil e teríamos dificuldades pelo golo sofrido em casa, quando não o merecíamos. Claro que period diferente irmos com a baliza a zero, mas sabíamos que tínhamos capacidade suficiente, até pelo que fizemos nessa noite, para obter um bom resultado fora”, lembra Ricardo Fernandes, suplente utilizado nos dois encontros.

Duas semanas depois, em Previous Trafford, Scholes ainda deu vantagem à equipa de Alex Ferguson – e viu outro golo ser-lhe mal anulado -, mas o conjunto de José Mourinho prevaleceu, graças a um golo de Costinha, aos 90 minutos, que selou o 1-1 ultimate.

“Fez-se justiça, sobretudo pelo jogo que se fez no Porto. As recordações são muitas. Aquilo que fez com que nós conseguíssemos a qualificação para a eliminatória seguinte foi acreditar que realmente éramos capazes de bater qualquer equipa naquele ano”, vincou o médio, que costumava ser “responsável pelas bolas paradas quando jogava”.

Em campo desde os 81 minutos, Ricardo Fernandes deixou Benni McCarthy cobrar um livre frontal perto do fim, tendo uma defesa para a frente de Tim Howard originado a recarga letal de Costinha e uma celebração famosa de José Mourinho pela linha lateral.

“Acredito que me fez entrar na possibilidade de podermos marcar de bola parada. Foi a primeira coisa que me disse quando entrou no balneário. Estávamos em clima de festa e chamou-me à atenção, porque me tinha dado ordens para fazer uma coisa que não fiz. Mas pronto, ainda bem que não o fiz ou não sabíamos onde a bola iria parar”, contou.

O FC Porto seguia para os quartos de ultimate e viria a conquistar a principal prova europeia de clubes pela segunda vez, numa ultimate sobre os franceses do AS Mónaco (3-0), um ano após a vitória na Taça UEFA sobre os escoceses do Celtic (3-2 após prolongamento).

“É pure que a estratégia não fosse exatamente a mesma da primeira mão, porque já tínhamos o resultado a nosso favor, mas a mentalidade foi sempre igual e levou-nos àqueles resultados. Já vinha do ano anterior, montada pelo Mourinho, e os jogadores assumiam-na, confiando naquilo que ele pedisse em qualquer jogo ou campo”, notou.

Ricardo Fernandes tinha chegado aos dragões no verão de 2003, oriundo do Sporting, e contabilizou um golo em 21 aparições, numa temporada em que o FC Porto juntou o quinto de sete troféus internacionais da sua história ao 20.º título de campeão nacional.

“O FC Porto raramente perdeu em casa com o Mourinho em dois anos. Sabendo disso, é pure que se entra com outra confiança a jogar fora. Respeitámos o adversário, mas nunca o tememos. Foi a forma de chegarmos a Manchester, ter um resultado contra nós até ao ultimate e nunca baixar a cabeça para procurar o que nos interessava”, reconheceu.

Precisamente 17 anos depois dessa “ultimate antecipada”, o ex-médio vê probabilidades “de 50-50” no segundo embate entre os campeões português e italiano, recusando que o conjunto de Sérgio Conceição “vá jogar só à espera de que a Juventus faça golos”.

“O FC Porto tem muita capacidade para jogar em transição e fazer golos neste jogo. Os resultados na Liga NOS não têm sido o que esperava, as taças foi o que foi, mas mostra quase todos os anos que é de nível europeu e está habituado a estes jogos. É diferente entrar em desvantagem e quem tem de correr atrás do prejuízo é a Juventus”, analisou.

Ricardo Fernandes, de 42 anos, desvaloriza a ausência de público em Turim, onde teme que Cristiano Ronaldo, com quem partilhou balneário em Alvalade na época 2002/03, ateste o papel de melhor marcador da sempre da Liga dos Campeões, com 134 golos.

“A Juventus faz-me lembrar o Manchester United do nosso ano que também estava em fim de ciclo, e não me parece que esteja no melhor nível. Sinceramente, espero que o Cristiano esteja em dia não e que o FC Porto passe, não salvando a época, mas dando mais uma alegria ao povo português com a vitória numa prova europeia”, afiançou.





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